
Ligar para um SAC é algo que amedronta qualquer cliente brasileiro. Os serviços de atendimento ao consumidor, no Brasil, encontram-se, na maioria das empresas, longe da excelência. Talvez nem precise falar da revolucionária “Atendente Virtual”, que muito facilita o dia-dia dos operadores de telemarketing na retenção do fluxo de ligações, mas desmoraliza, irrita e ridiculariza os clientes. Digo e repito: o cliente, diante de uma atendente virtual, é ridicularizado! Falar com uma máquina!? Isso no mínimo um deboche, não acha?
Se não há atendentes suficientes para atender à demanda, o que fazer? Várias empresas decidiram aderir a esse desleal serviço de atendimento eletrônico. Essa é uma medida que, apesar de parecer inovadora, é altamente arcaica no que diz respeito às atuais estratégias de marketing, pois afasta totalmente o cliente da organização, que passa a ser representada por um robô (analfabeto, diga-se de passagem), que é utilizado para "falar" com o maior de todos os bens de qualquer organização: o cliente! É, parece que essa não é uma boa estratégia para contornar a carência de atendentes humanos diante da enorme demanda. Ainda assim, várias empresas aderiram ao serviço.
O atendimento eletrônico deveria estar fora de cogitação entre as medidas a serem tomadas para melhorar o serviço de Call Center. Contratar mais milhares de atendentes é uma medida aparentemente coerente, e que várias empresas vêm tomando. Entretanto, caro leitor, a maior deficiência dos SACs brasileiros está na qualidade dos atendentes. Muitos deles só recebem um insuficiente e deficiente treinamento de admissão. A falta de instrução dos atendentes gera uma série de problemas, tanto na operação de um procedimento interno quanto na qualidade, fidelidade e credibilidade das informações prestadas aos clientes.
Treinamentos periódicos, aulas de língua portuguesa e oratória, e dinâmicas de grupo são ferramentas que, se forem utilizadas com regularidade nas empresas, poderão garantir uma grande melhoria na qualidade dos operadores dos SACs, pois diminuiriam a quantidade de informações erradas e divergentes (que geram um conseqüente retorno do cliente), garantiriam mais agilidade, clareza e objetividade no atendimento. A satisfação do cliente e a conseqüente rentabilidade da empresa aumentariam, e o fluxo de ligações diminuiria, pois menos clientes retornariam para se queixar de uma informação errada ou de um sério problema causado por ela, e isso implicaria a redução da demanda por atendentes. Com uma política de otimização da qualidade dos atendentes dos SACs, as empresas passam a ter uma maior disponibilidade de recursos humanos para serem empregados como operadores ativos (comerciais), visando a uma maior rentabilização via telemarketing. São medidas não só de melhoria de atendimento como também de estratégia de gestão, que podem gerar oportunidades de negócios para a empresa.
Devido ao enorme fluxo de ligações (adivinha o porquê!), os atendentes são pressionados pelos seus gestores a fazerem um atendimento rápido, e isso faz com que o atendente fique transtornado com o tempo da ligação, o que o leva a buscar recursos -muitas vezes absurdos - para finalizar a ligação da maneira mais rápida possível! Se as filas de atendimento não fossem tão grandes, essa forte cobrança em cima dos operadores não existiria, e lhes permitiria fazer um atendimento com mais tranqüilidade e qualidade. Agilidade deve existir sim, mas não pressa. E se há uma coisa que irrita o cliente é aquele famoso e repetitivo script (com aquela vozinha de "tô doido pra desligar"): "Mais alguma informação?".
E o que falar do abominável e freqüente gerundismo? Nãããããão! Não são alguns não! São muuuuitos, muuuuuitos operadores! E essa quantidade não está nem um pouco longe da totalidade! Parece que é uma epidemia! A quantidade de atendentes que utilizam essa anomalia linguística deve chegar perto dos 100%! Não que eu tenha feito uma estatística a respeito, mas é que eu NUNCA liguei para um call center para não ouvir algo parecido com: “Senhor, caso o senhor não esteja conseguindo utilizar o serviço, peço que o senhor esteja retornando a ligação para que nós possamos estar efetuando sua solicitação”. Precisa comentar? E ainda há os que acham desnecessário aulas de português para um atendente de Call Center. Aulas de português deveriam ser aplicadas periodicamente a todo e qualquer profissional - principalmente aos que trabalham em atendimento ao público - , independente da área de atuação, até porque é a língua através da qual nos comunicamos.
Voltando à "Atendente Virtual", enquanto essa for considerada uma ferramenta para retenção de ligações e diminuição da fila de espera por um atendente humano, bem como uma evolução do serviço de atendimento ao consumidor, os Call Centers continuarão nessa situalçao calamitosa, um verdadeiro Fall Center, não só pela decadência do serviço, mas também pelas freqüentes “quedas” de ligações, que coincidentemente ocorrem quando o cliente está com um longo e complicado problema que o atendente não tem a competência e/ou a disposição para resolver. Será que nesses momentos a ligação cai mesmo?
Diante de tantas deficiências no serviço de Call Center brasileiro, qual a melhor solução, amigo leitor? Não sei você, mas eu vou ligar para reclamar!